Saúde Baseada em Valor: a saída para o setor

19 out

Medicina Baseada em Valor é a única forma de “fechar as contas” e a saída mais sustentável para o setor!

Por Leandro Racuia* e Alexandre Bomfim**

Para este blog post vamos trazer a visão do médico epidemiologista e CMO da Tá.Na.Hora, Alexandre Bomfim (CRM: 76924), sobre Saúde Baseada em Valor e, dentro dela, a maneira com que mídias digitais serão usadas .

Qual seria a melhor definição de Saúde Baseada em Valor?

Dr. Alexandre: O conceito vem sendo desenvolvido desde meados do ano de 2006 pelos pesquisadores de Harvard, encabeçados pelo Prof. Michael Porter que lançou naquele ano seu icônico livro “Repensando a Saúde”. Mas, modernamente o Dr. Cesar Abicalaffe, médico epidemiologista brasileiro de grande envergadura, definiu Valor como sendo uma relação entre Experiência e Esforço. Onde Experiência é a qualidade percebida pelo paciente mais o quanto ele participa do seu próprio tratamento e decisões a cerca da sua saúde e o Desfecho Clínico. Ao passo que esforço seria uma somatória de Acesso (ou falta dele) e custo.

Pela sua experiência na área médica e gestão de saúde, quais os movimentos recentes do mercado em torno deste tema?

Dr. Alexandre: O principal é o pagamento por performance. Isto é: o estabelecimento de metas de Valor a serem entregues ao paciente e a partir disso, políticas de remuneração para os diversos participantes da cadeia da prestação de serviço.

Neste sentido, qual a sua percepção sobre oportunidades e visão de mercado?

Dr. Alexandre: Utilizar a Medicina Baseada em Valor para organizar serviços, com grande empoderamento e informação aos pacientes não só sobre o tratamento prestado, mas como formas de prevenção, detecção, acompanhamento e redução de sequelas.

Enfim, toda a linha de cuidado necessária e mensuração dos desfechos das ações em saúde – o que  só será possível com ajuda de ferramentas digitais.

Qual a relação entre Medicina Baseada em Valor a tendência por redução de custos em saúde?

Dr. Alexandre: A Medicina Baseada em Valor vai no centro da questão na medida que foca o que realmente vai agregar valor para o paciente evitando tratamentos excessivos e desnecessários ao mesmo tempo em que impede o sub-tratamento que no final eleva o custo da saúde no sistema como um todo. Ou seja, tende a reduzir o simples repasse de custos entre as partes envolvidas e contrapõe o modelo atual do pagamento por produção, sem que haja considerações relativas à qualidade e ao desfecho.

Por que você considera esta estratégia importante?

Dr. Alexandre: Hoje, no sistema de remuneração da saúde complementar (privada) predomina a chamada “conta aberta” ou Fee For Service, um mecanismo que não leva em conta resultados, apenas produção e repasse de custos com margens embutidas.

É como se você fosse a um restaurante, pedisse um prato e, durante o preparo, o cozinheiro deixasse cair um vidro de azeite. Ao final da refeição, uma margem de lucro do restaurante somado ao valor do vidro aparecesse na sua conta – para você pagar!! Claro que é uma redução simplista, mas o que quero dizer é que as ineficiências do setor são passadas ao longo da cadeia até chegar ao consumidor final.

Por fim, qual o papel de organizações internacionais, como o ICHOM? Como você vê grandes players de saúde no mundo se movimentando neste tabuleiro?

Dr. Alexandre: Sem dúvida o primeiro passo é começar a medir resultados esperados em Desfechos Clínicos. Nesse sentido, instituições como ICHOM ( International Consortium for Health Outcomes Measurement) tem mostrado um caminho bem interessante. Na minha opinião, estamos as portas de um mudança disruptiva na área de saúde em que o paciente vai passar a realmente ocupar o centro do cuidado e das decisões, apoiado por ferramentas de Inteligência Cognitiva e altamente interligado em plataformas.

Acho que estamos muito perto de algo como o Uber foi para a Mobilidade Urbana ou para a vida dos taxistas na área de saúde.

* Leandro Racuia é o growth hacker da TNH Digital Health. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/leandroracuia/.

** Alexandre Bomfim é médico epidemiologista (CRM: 76924) e CMO da TNH Digital Health. Linkedin: https://www.linkedin.com/in/alexandre-bomfim-faria-santos-13427a3/

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