Sua pulseira de fitness está te engordando

30 jan

 

TEC Gift Guide Fitness Trackers


Após muito barulho, parece que o mercado de wearables não está tão aquecido como se pensava. Pior: descobriu-se que as pulseiras fitness engordam ao invés de emagrecer

Por Michael Kapps*

Novo relatório do eMarketer mostra que o crescimento de wearables (vestimentas digitais que monitoram o usuário em tempo real) nos Estados Unidos foi muito menor do que previsto, sendo apenas de 25% em 2016, em vez dos 60% previstos no início daquele ano. E por quê?

Principalmente, porque os dispositivos não conseguiram interessar pessoas além dos ‘early adopters’ – termo utilizado para se referir ao grupo de pessoas que são os primeiros a usar uma nova tecnologia. De acordo com o estudo, em 2017, apenas 16% dos americanos usarão wearables (incluindo os ‘Apple Watch’ e ‘FitBit‘), e mesmo em 2020, a estimativa é que esse número aumentará em 5%, chegando somente a 21%.

Pulseiras fitness engordam

Além desse notícia, saiu um estudo surpreendente no ‘Journal of American Medicine’ mostrando que wearables, especificamente os ‘fitness trackers’ (relógios e pulseiras que monitoram as atividades físicas do usuário com acompanhamento digital) não ajudam pessoas a perder peso.

A constatação resultou de uma pesquisa com 470 adultos com sobrepeso e obesidade. Todos receberam um treinamento sobre como perder peso em 6 meses e foram divididos em dois grupos: um que recebeu um  ‘fitness tracker‘ e o outro que precisou monitorar seu progresso sem o dispositivo. O grupo com a pulseira perdeu, em média, 3,5Kg, mas o grupo sem ela saiu-se melhor, eliminando 6Kg!

O motivo? Pesquisadores ainda não têm uma resposta comprovada, mas especulam que os ‘fitness trackers geraram um comportamento oposto, de certa forma incentivando as pessoas a comerem mais: “Meu ‘fitness tracker’ mostra que fiz bastante exercício hoje, então posso comer esse bolo!”.

Aqui na Tá-Na-Hora acreditamos que esses dispositivos são muito importantes para auxiliar na mudança de comportamento e estimular as pessoas a serem mais saudáveis; mas precisamos reconhecer que eles, sozinhos, não geram essas mudanças. O ideal é funcionarem  junto a outros incentivos, como prêmios, por exemplo. Ou também possibilitarem interatividade com outros participantes do programa para ter um efeito duradouro – veja Omada Health, eles fazem grupos de 12 pessoas que completam um programa de atividades juntos, todos veem a evolução e os índices dos colegas, gerando um incentivo coletivo.

Tendências e oportunidades

O público jovem é um dos que mais consomem esse tipo de tecnologia. Estima-se que em 2017 30% dos usuários de wearables, principalmente de ‘fitness trackers’, sejam da população entre 18 a 34. Outra previsão é de que em 2018, as mulheres sejam a maioria dos usuários de wearables, transformando este mercado que hoje é dominado pelo público masculino. Então, sim, ainda há oportunidades no setor.

Precisamos reconhecer que esses wearables ainda são uma novidade e vão demorar muito mais tempo para se tornarem populares no Brasil, ainda sendo um mercado de nicho.

*Michael Kapps é CEO & cofundador da Tá-Na-Hora Sáude Digital. LinkedIn: http://www.linkedin.com/in/michaelkapps 

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