Programa de gestantes da Tá-Na-Hora segue diretrizes da ANS e incentiva parto normal

26 abr

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Imagem: Divulgação/ANS

O Brasil é recordista de partos cesários no mundo, no entanto, esta prática é contestada pela Organização Mundial da Saúde devido aos prejuízos à saúde da mãe e do bebê.

Por Pamella Indaiá

O Brasil é recordista em número de partos cesários. “Oito em cada 10 crianças que nascem em um hospital particular vêm ao mundo por meio de uma cirurgia”, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar  (ANS). Para se ter uma ideia, em 2014, a média nacional de cesarianas no país chegou a 57%. Indo na contramão das recomendações das principais instituições de saúde internacionais e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda uma média de cesarianas de até 15%.

Estes dados são alarmantes e representam um problema sistêmico para o setor de saúde brasileiro. Diferentes estudos apontam complicações causadas pelo excesso de partos cesários. De acordo com informações da ANS, a cesariana triplica o risco de morte da mãe. O agendamento prévio da cesariana, antes das 39 semanas e da criança estar preparada para nascer, pode gerar desenvolvimento de doenças respiratórias e crônicas no bebê, óbito neonatal e óbito infantil.

Conforme explica a obstetriz e pesquisadora Aline Blumer, o Brasil tem um histórico de incentivo a condutas prejudiciais para desenvolvimento de uma assistência ao parto saudável. “Para superar as estatísticas ruins e melhorar as taxas de mortalidade materna e perinatal é essencial a intervenção de programas que tenham o objetivo transformador da realidade. Por isso, programas que incentivam o parto natural, normal ou até mesmo condutas adequadas para a melhor opção para a saúde da mulher e da criança são fundamentais”, afirma.  

Parto Adequado

Para responder uma demanda pública e reduzir o percentual de cesarianas desnecessárias na saúde suplementar, a ANS lançou, em 2014, o projeto Parto Adequado. A iniciativa é realizada em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, o Institute for Healthcare Improvement (IHI) e apoiada pelo Ministério da Saúde (MS), com o objetivo de identificar modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto e nascimento, valorizando o parto normal.

A primeira fase do projeto durou 18 meses e, nesse período, a taxa média de partos vaginais nos 35 hospitais participantes subiu 43%, evitando mais de dez mil cesáreas sem indicação clínica. Já a segunda fase começou em março deste ano e irá durar 24 meses. O número de participantes foi ampliado para 153 hospitais (128 privados e 25 públicos) e 65 operadoras de plano de  saúde.

Segundo a ANS, neste período, o desempenho dos hospitais participantes será avaliado. Serão analisados indicadores como o número de partos, admissões em UTI neonatal, satisfação da gestante em relação ao atendimento, taxa de complicações inesperadas e índice de severidade.

De acordo com Blumer, o Parto Adequado pode ser um primeiro passo para a transformação do panorama atual da assistência à saúde das mulheres brasileiras, mas essa iniciativa envolve desafios. “Para reduzir o número de cesarianas é preciso retomar o contato da mulher com o parto e o conhecimento do próprio corpo. Outro ponto importante é a existência de uma rede de profissionais e instituições que estejam dispostos a valorizar o protagonismo da gestante. Serviços que estejam alinhados com o oferecimento de suporte tecnológico de qualidade e ao mesmo tempo estimulem o processo de evolução natural do parto”, afirma.

Gravidez Saudável

O Gravidez Saudável, desenvolvido pela Tá-Na-Hora, é uma ferramenta digital para acompanhamento de gestantes por meio de SMS e chatbot. Com mensagens diárias, o programa fala diretamente com a mulher gestante, prezando pela sua individualidade e auxiliando no processo da gestação com informações educacionais, dúvidas e monitoramento de complicações.

As gestantes participantes recebem mensagens de acordo com a data provável de parto, o que permite que os temas abordados estejam de acordo com cada fase da gestação. As principais temáticas são: desenvolvimento da criança, parto, amamentação, pós-parto e apoio emocional. Além disso, o programa também visa incentivar a adoção de hábitos saudáveis relacionados à alimentação e prática de atividades físicas.

O conteúdo foi desenvolvido com foco no incentivo ao parto normal, de acordo com as diretrizes da ANS para o Parto Adequado. As mensagens educativas buscam apoiar as gestantes para que elas sejam protagonistas do próprio parto. Além disso, o Gravidez Saudável acompanha sintomas de alteração na pressão arterial, diabetes, peso. Com o uso da ferramenta também é possível  analisar adesão ao pré-natal, escolha do parto e possíveis intercorrências médicas.

Um dos principais benefícios do Gravidez Saudável é auxiliar o atendimento à atenção básica e aproximar as gestantes. Segundo destaca o médico epidemologista e CMO da Tá-Na-Hora Alexandre Bomfim, neste programa a mulher torna-se participante ativa de sua gestação. “A gestante passa a ter a possibilidade de identificar precocemente alterações e sinais de alertas, bem como se sentir confortável com as mudanças que seu corpo vai apresentando. Já as instituições de saúde têm a oportunidade de conhecer melhor sua população, planejar recursos e reduzir custos, em especial, pelo não reconhecimento de uma gestação de risco e a necessidade de UTI neonatal para o bebê”, explica.

Quer saber mais sobre o programa Gravidez Saudável? Entre em contato conosco.

*Pamella Indaiá é gestora de Pesquisa & Conteúdo da Tá-Na-Hora Sáude Digital. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/pamellaindaia/. 

**Informações ANS e Ministério da Saúde.

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